No dia 21/09/2011, estava em meu trabalho quando recebi uma mensagem pelo celular informando que a Rádio Cidade de Sumé havia comemorado seu aniversário naquela semana de setembro.
Ainda tentei ligar para a emissora, onde trabalhei por nove anos, para parabenizá-la por sua atuação na região, mas não consegui completar a ligação. Como estava muito atarefado naquele dia, acabei não insistindo. Resolvi, então, escrever este post sobre os 20 anos da Rádio Cidade.
A emissora sempre teve uma presença marcante na comunidade sumeense e uma atuação forte na comunicação do Cariri e de parte de Pernambuco.
Lembro-me da euforia que tomou conta da cidade com a chegada da rádio à região, em 1991. Em Sumé, a maioria dos aparelhos de rádio estava sintonizada na frequência de 1270 kHz. Era a novidade da época.
Eu sempre tive vontade de trabalhar nesse meio de comunicação. Desde criança, em minha casa, ouvia-se muito rádio. Recordo-me de um programa chamado "Postal Sonoro", acho que de alguma rádio de Campina Grande. Tinha também a Rádio Liberdade, de Caruaru, entre tantas outras. Era sintonia certa.
Na inocência de criança, eu pensava que os locutores ficavam dentro do aparelho conversando, literalmente. Aquilo era mágico!
Quando a Rádio Cidade chegou a Sumé, eu era adolescente e morava na zona rural, no Sítio Agreste. Dessa vez, lá em casa, a sintonia estava voltada para a grande novidade da época.
Já começava o dia ouvindo nosso amigo César Alexandre, em quem sempre me inspirei. Depois, quando fui trabalhar com ele, foi muito legal. Seu programa era o "Acorda Cidade".
Aliás, nessa época houve tantos programas legais na Rádio Cidade!
Quem não se lembra da alegria contagiante e do talento de Brígida Xavier no "Bom Dia Cidade"? E do romantismo na voz macia de Ana Paula no "Amor sem Fim"? Sem falar nas histórias de amor contadas no "Boa Tarde Cidade", através do vozeirão potente de Jacqueline Oliveira, só para citar alguns.
Em minha opinião:
Na Rádio Cidade, de uns tempos para cá, sinto falta de uma programação que prenda mais a atenção do ouvinte, como nos tempos de outrora.
Saudosista, eu? Não sou, não. Longe de mim.
Na minha percepção de ouvinte e, modéstia à parte, nessa área entendo um pouco, está faltando uma grade de programação mais organizada, chamativa e diversificada ao longo do dia. Um espaço em que o ouvinte se sinta identificado com aquele canal.
É claro que há experiências bem-sucedidas no decorrer da programação. Não podemos negar.
Agora, seria interessante também haver mais rodízio de locutores na apresentação dos programas. Como diz o ditado: tudo que é demais enjoa, não é?
Está na hora de mesclar um pouco mais, perder o medo e ousar.
Tenho certeza de que a premiada radialista Jacqueline Oliveira, diretora operacional da emissora, sabe conduzir muito bem esse processo. E quem sabe até uma pesquisa de mercado poderia ajudar a nortear suas diretrizes administrativas e operacionais? Pelo menos é o que empresas bem-sucedidas realizam com regularidade em busca de resultados mais satisfatórios.
Leia aqui o que diz o diretor-geral da Rede Globo, Octávio Florisbal.
Sabemos perfeitamente que uma rádio precisa ser sustentável financeiramente. Isso é fato, sobretudo no interior, onde as dificuldades para manter um empreendimento desse porte são grandes.
Agora, dá para alinhar os programas arrendados em horários específicos, com um mínimo de padrão exigido, sem comprometer a qualidade nem quebrar o ritmo da programação da casa.
Posso estar equivocado, mas essa é apenas a minha modesta percepção de ouvinte.
Evidentemente, a rádio precisa se adequar às suas demandas e prioridades. Isso é indiscutível.
Agora, não podemos esquecer o peso jornalístico e a prestação de serviços, que são marcas da emissora e que, logicamente, têm ajudado a contribuir para o desenvolvimento regional.
É nesse ponto que ela aposta e investe para fazer jus ao AM e à sua razão de existir.
Vale ressaltar também que a Rádio Cidade chegou numa época em que não havia tantos meios de informação à disposição das pessoas na região.
Nesse contexto, a rádio em Sumé servia como ponte para a difusão do conhecimento, da informação e do entretenimento de grande parte dos seus ouvintes. Talvez por isso tenha sido dada tanta importância à presença de professoras em seu quadro funcional, como Brígida e Jacqueline.
Por essas e outras razões, a rádio sempre teve um papel relevante na vida de grande parte do seu público.
Não que isso não esteja acontecendo hoje. O que ocorre é que, como tudo na vida muda, o Cariri também mudou.
Com o advento de outras plataformas de mídia, como internet, redes sociais e TV, a concorrência local, como a Rádio Alternativa FM, além de universidades e outras fontes de conhecimento, o rádio já não tem o mesmo peso na vida das pessoas.
Acredito que a Rádio Cidade tenha percebido essas mudanças e procurado implementar novas estratégias de mercado para atrair seu público, conquistar novos anunciantes e, claro, continuar presente na mente das pessoas e no seu meio.
Do contrário, qualquer empreendimento, independentemente do segmento em que atue, se não acompanhar as mudanças pelas quais o mundo passa, corre o risco de ficar parado no tempo.
Levando em conta o ciclo de vida de uma empresa, na teoria de marketing, temos: nascimento, crescimento, maturidade, declínio e renovação.
O blogueiro nos tempos de Rádio Cidade
Em 1999, depois de uma passagem relâmpago pela Rádio Alternativa FM de Sumé, do empresário João Pereira, recebi uma proposta de "estágio" na Rádio Cidade para a vaga de vendedor de mídia e comerciais junto ao comércio local e, paralelamente, fazer reportagem de rua para os programas jornalísticos da casa.
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| O blogueiro nos tempos de Rádio Cidade |
Até que, em 2002, fui efetivado como locutor entrevistador.
Na verdade, em rádio do interior é assim mesmo: a gente é contratado para uma função, mas acaba fazendo de tudo um pouco. Em termos de experiência profissional, isso é bom. Ganhamos e aprendemos muito com isso. Se é bom ou não para o bolso, isso é outra história.
Fiquei na Rádio Cidade até maio de 2007, quando pedi desligamento da emissora por conta de outras prioridades.
Mas confesso que foi um período de muito aprendizado e de boas amizades que, na medida do possível, preservo até hoje.
Fica aqui o meu registro sincero de gratidão a todos aqueles com os quais convivi e que confiaram em mim e no meu trabalho. Apesar das minhas limitações, sempre procurei dar o meu melhor e fazer tudo com amor e dedicação.
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| O bogueiro entrevistando Governador Geraldo Alckmin |
Como diz a música, "quem sabe faz a hora, não espera acontecer".
Não tenho dúvidas de que a Rádio Cidade, com toda a sua infraestrutura, competência e experiência, sabe muito bem que é hora de olhar para a frente, analisar o que de bom foi realizado na prestação de serviço ao longo desse período e verificar o que precisa ser melhorado.
Dentro dos ciclos de vida de uma empresa citados acima, acredito que a Rádio Cidade se enquadra na fase de maturação.
É nesse estágio da vida que muita coisa já aconteceu, muita água já rolou e as decisões a serem tomadas ficam mais claras para seus dirigentes, de acordo com o ambiente em que a empresa atua.
É notório que, nesse caminho, houve muitos acertos e, consequentemente, erros também. Afinal, como diz a máxima, só não erra quem não trabalha.
PARABÉNS, EQUIPE RÁDIO CIDADE SUMÉ!
| Equipe da Rádio Cidade |



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