OS TRÊS PILARES DA ADMINISTRAÇÃO
Todos estão de acordo em que um cego não pode guiar outro cego, pois os dois não iriam à parte alguma. Do mesmo modo, pretender exercer a liderança sobre outras pessoas sem exercê-la sobre si mesmo. Não basta somente a competência técnica, temos que ser também peritos em humanidade. Algumas empresas, imbuídas de boas intenções, mas desprovidas de conhecimento prático sobre o processo de desenvolvimento de pessoas (coaching), estão deixando-se arrastar por esta nova onda esquecendo-se de que o mais importante de tudo não é o processo, são as pessoas. Em primeiro lugar, temos que formar aquele que formará. E para cumprir esta missão, nada melhor do que aplicar os ensinamentos daquele que é conhecido como o mais sábio dos homens. Sócrates nos diz que temos que começar por nós mesmos: conhece-te a ti mesmo! Falar de liderança é falar de hábitos, comportamentos e virtudes; fatores que definem o homem como um ser que está chamado a realizar-se a si mesmo. No entanto, esta realização exige como pré requisito o conhecimento próprio para que possa ser plena. Há uma diferença entre um líder de alto nível e qualquer outro: o primeiro, por conhecer bem suas capacidades, sabe atribuir o valor necessário à contribuição que recebeu da sua equipe enquanto que o segundo comemora os sucessos como sendo resultado exclusivo das suas ações. Enquanto o segundo não deixa de ver a sua imagem refletida no espelho e assume uma postura narcisista, o primeiro sabe debruçar-se na janela da realidade e contemplar os fatos tal como são, com realismo e objetividade, sabendo valorizar adequadamente a contribuição das pessoas, e até mesmo da sorte, na consecução das metas propostas. No entanto, além da humildade, diria que um líder de alto nível não pode estar completo sem a presença de outros dois aspectos: o autogoverno e a formação de pessoas. Governar a si mesmo exige aprender novos hábitos e desaprender os antigos num processo de contínuo aprimoramento; diz respeito a uma postura ativa diante de si mesmo. Tal atitude nem sempre é encarada de modo favorável pelas pessoas porque envolve uma mudança não somente externa, mas, sobretudo interna, que leva consigo uma mudança de valores e de critérios para tomada de decisão. Um bom formador é aquele que conduz outras pessoas pelos caminhos que ele mesmo já trilhou. Formar pessoas significa fazer com que se encarem consigo mesmas (autoconhecimento) e que, como resultados adquiram novos hábitos que as coloquem em condições de desempenhar plenamente as suas funções e exercer as suas responsabilidades (autogoverno).
Cesar Furtado, Prof. Gestão de Pessoas