Blog do Nildo Paulino: Pai: você faz parte desse caminho!

Comunicador, contador de histórias e observador do cotidiano.

Pai: você faz parte desse caminho!


Neste Dia dos Pais, desejo a todos que carregam consigo esse ofício um dia especial.

Confesso que, de modo geral, não sou muito fã de datas comemorativas. Para muita gente, elas têm seus significados, embora eu também veja boa parte delas pelo lado comercial. Mas isso não importa agora.

O que quero destacar é a responsabilidade de ser pai. Não deve ser fácil assumir esse papel. Tenho grande admiração por aqueles que conseguem exercê-lo com presença, dedicação e, sobretudo, pelo exemplo.

Fico feliz quando vejo pais compartilhando com os filhos aquilo que aprenderam ao longo da vida, seja nas brincadeiras, no lazer ou no trabalho. Também não deve ser simples transmitir valores sem parecer "careta" ou "cafona", tentando formar cidadãos de verdade.

Quando vou ao Parque Ibirapuera, por exemplo, vejo pais brincando com os filhos ou ensinando-os a praticar esportes, como futebol, skate, patins e bicicleta. No MASP, já encontrei muitos pais mostrando obras de arte aos filhos, contando o que sabiam sobre os artistas e ouvindo as perguntas das crianças.

Independentemente da condição social, o que importa é a presença e a responsabilidade que cada um assume na vida do outro.

Não sou especialista no assunto, mas acredito que conviver com os filhos, compartilhar momentos e apresentar a eles aquilo de que gostamos faz diferença. É convivência, paciência e interação. É estar junto. Presente.

Acredito muito no exemplo que pais e filhos podem deixar uns nos outros. Afinal, estamos falando de espelhos.

A lembrança que tenho do meu pai é a de um homem forte, muito trabalhador e sério. Aliás, não me lembro de tê-lo visto sorrindo. Mesmo assim, esse jeito nunca tirou dele a serenidade e a bondade de um pai que foi, dentro do seu jeito e dos seus limites.

Era um sertanejo valente, daqueles que enfrentavam as dificuldades de cabeça erguida, sem reclamar. Não se envolvia em confusão e sempre nos conduziu pelo caminho do bem.

Seu conselho era simples: não pegar "no alheio", como ele costumava dizer.

Apesar de analfabeto, sempre nos incentivou a estudar, principalmente os filhos mais novos. Sabia das dificuldades que não saber ler e escrever trazia para a vida e fazia questão de nos alertar.

Tivemos pouco tempo de convivência. Ele morreu aos 82 anos, quando eu tinha 15. Ainda assim, foi tempo suficiente para eu conhecer seu caráter, sua retidão e sua coragem.

Meu pai era rígido. Não queria que fumássemos e, quando desobedecíamos, a punição vinha. Nunca precisou bater para nos educar. Uma palavra ou um olhar reprovador já era suficiente.

Também aprendemos com ele a respeitar os mais velhos. Hoje entendo muitas de suas atitudes e sou grato por tudo o que nos ensinou.

Não é fácil cuidar de uma família numerosa. Éramos dez filhos, vivendo no interior da Paraíba e enfrentando as dificuldades de uma época com poucos recursos para as necessidades básicas.

Talvez esses contrastes tenham ajudado a nos formar. Aprendemos que honestidade e fazer o bem valem a pena. Tornamo-nos uma família unida, batalhadora e preparada para enfrentar os desafios da vida.

Atribuo parte dessa segurança aos valores deixados pelo meu eterno pai, José Paulino de Sousa.

É em nome dele que desejo a todos os pais muita força e paz.

Obrigado, pai!

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