Luiz Carlos Bresser-Pereira
Artigo publicado originalmente na Folha de S.Paulo, em 21 de maio de 2012.
O texto abaixo, de Luiz Carlos Bresser-Pereira, trata dos primeiros sinais que, na avaliação do autor, apontavam para a construção da então presidente Dilma Rousseff como estadista.
Bresser-Pereira destaca decisões como a demissão de ministros envolvidos em denúncias de corrupção, a redução dos juros, a instalação da Comissão Nacional da Verdade e a decisão de tornar públicos os salários dos servidores do Executivo.
O autor recorre a Maquiavel para explicar os conceitos de “virtù” e “fortuna”. Para ele, virtù está relacionada à competência, ao discernimento e à capacidade de tomar decisões, enquanto fortuna representa aquilo que também depende das circunstâncias e da sorte.
No artigo, Bresser-Pereira argumenta que um estadista precisa ter visão de futuro, conhecer os problemas do país e ter coragem para enfrentar interesses, inclusive os de seus próprios apoiadores.
Ao final, ele reproduz uma frase de Dilma Rousseff dita durante a instalação da Comissão da Verdade:
“A verdade é algo tão surpreendentemente forte que não abriga nem o ressentimento, nem o ódio, nem tampouco o perdão... é, sobretudo, o contrário do esquecimento.”
E conclui:
“Muitos serão ainda os desafios que Dilma terá que enfrentar; não sabemos quanta fortuna terá, mas já sabemos que terá ‘virtù’.”
Fonte: Folha de S.Paulo, 21 de maio de 2012.
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