O título acima é uma frase extraída do livro Ensaio sobre a cegueira, do escritor português José Saramago. Não é, porém, sobre o livro que pretendo falar, mas sobre o ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio, e os problemas registrados na edição de 2011, sob a ótica da grande imprensa brasileira.
Assim como milhões de estudantes brasileiros, já participei do ENEM e reconheço o esforço de milhares de profissionais envolvidos na realização do exame.
Como destacou a então presidente Dilma Rousseff no programa semanal Café com a Presidenta, a aplicação da prova envolvia uma operação de grandes dimensões. Naquele ano, o exame foi realizado em 1.602 cidades e mobilizou cerca de 400 mil profissionais, entre professores, policiais, funcionários dos Correios e fiscais.
É evidente que ocorreram falhas e que elas precisavam ser corrigidas. O que não me parecia correto era transformar problemas pontuais em uma condenação do exame como um todo.
Criado em 1998, o ENEM havia crescido de forma expressiva. Na primeira edição, foram 157,2 mil inscritos. Em 2011, na 13ª edição, o número chegou a 5.367.092, segundo dados do MEC.
A proposta também havia mudado. O exame passou a ser utilizado como instrumento de acesso ao ensino superior e permitiu que estudantes concorressem a vagas em instituições de diferentes regiões do país.
Para estudantes de baixa renda, isso representava uma possibilidade concreta de ampliar as opções. Fazer vários vestibulares pelo país significava pagar inscrições, deslocamentos e hospedagem. O ENEM ajudava a reduzir parte desses custos.
É por isso que, apesar dos problemas, eu não conseguia compreender algumas críticas que pareciam atingir o exame em sua totalidade.
O neurocientista Miguel Nicolelis, citado à época, também defendia essa visão e associava parte das críticas à resistência à democratização do acesso à universidade.
Outro episódio que não poderia ser ignorado era o vazamento da prova de 2009, quando exemplares do exame foram roubados de uma gráfica responsável pela impressão. O caso resultou em investigação e condenações.
Naquele contexto, também chamava minha atenção a forma como diferentes veículos de comunicação tratavam o ENEM. Enquanto alguns destacavam o número de inscritos e a dimensão do exame, outros davam maior espaço aos problemas registrados.
Naturalmente, cada veículo possui sua linha editorial. Mas a imprensa também precisa ser analisada criticamente pelo público.
Mesmo com os problemas, considero importante reconhecer o papel que o ENEM passou a desempenhar na educação brasileira. A existência de falhas não elimina os resultados alcançados nem os desafios que ainda precisavam ser enfrentados.
Ignorar os ganhos obtidos com essa modalidade de avaliação também poderia significar um retrocesso.
E aqui fica uma pergunta que li em algum lugar:
O que a Justiça do Ceará tem contra o ENEM?
No Ar
Nesse sábado, 29 de outubro, ouvi daqui de São Paulo, pela primeira vez, o programa institucional da Câmara de Vereadores de Sumé, minha cidade natal, transmitido pela Rádio Cidade.
O programa contou com a participação do vereador Nego, que levou sua mensagem à população.
Não conheço, naquele momento, sua atuação no Legislativo sumeense, mas, ao ouvi-lo, tive a impressão de estar diante de um parlamentar sensato, sincero, entrosado com os problemas da comunidade e consciente do seu papel.
Gostei da fala.

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